FOLHA AMARELA
Eu ouvia-lhe os passos na calçada,
quando as flores roçavam meu portão.
Todo dia, ao passar, os pés de fada
eram notas sutis de uma canção.
Ia leve, sublime, delicada...
Iam sombras com ela, pelo chão.
E uma carta de amor inacabada
eu trazia no bolso, escrita à mão.
Certo dia, voltou-se para mim.
Acenou-me um adeus que trouxe o fim.
Nunca mais recebi notícia sua.
Hoje, ainda contemplo a tarde fria.
Outra folha amarela, a ventania
vai levando, perdida, pela rua...