QUANDO A TARDE DESCE
No dia calmo, quando a tarde desce,
as coisas suavizam-se com graça...
O sol já lentamente desfalece...
A luz treme de leve, quase escassa.
E tudo fragiliza-se, parece
um sonho delicado, de fumaça,
as horas elevadas, feito prece,
o tempo morredouro, enquanto passa.
O vento tem resquícios de perfume,
as folhas um suspiro de queixume,
as nuvens um feitio singular,
as sombras se levantam em ciranda...
Somos nós lado a lado na varanda,
na foto que sozinho vou guardar.