PAISAGEM ERMA
Nos ermos, uma sombra se levanta,
olhos de âmbar fitando a lua cheia.
A lenda antiga afina-lhe a garganta.
Seu uivo os arredores incendeia.
O instinto o guia com destreza tanta,
com força que em momento algum receia...
A ventania longamente canta
e varre-lhe as pegadas sobre a areia.
Silencioso, rápido, incontido,
a liberdade tem por sua trilha.
O vento o chama a alguma direção...
De porte vigoroso, destemido,
o caçador restante da matilha
percorre solitário a imensidão.