DIANTE DA FOTOGRAFIA DE UM MORTO
(Medalha de prata no II Concurso de Poesias Diário da Poesia -2019)
Ele, um traço intrigante, possuía,
nos tempos em que pouco se notava...
Nada queria, nada ambicionava,
bastava o velho livro que relia.
A vida sem apego prosseguia.
Uma chave sequer com ele andava.
E quando a luz de um sonho lhe tocava,
gracejava de si, depois se ria.
E um frasco de fatídicos esboços
de caveira com dois cruzados ossos
foi-lhe o cálice, um dia, após a prece.
Hoje, ao ver sua foto na moldura,
recordo-me da implícita postura,
como se ele, por tempos, já soubesse...