MOLDURA
Numa tarde remota, quase irreal,
se juntam na varanda de madeira:
ele, postado ao lado da cadeira;
ela sentada, as mãos sobre o avental.
De ares sóbrios, solenes por sinal,
unidos ao esposo e à companheira,
sorriem três figuras, da maneira
como ninguém sorri no tempo atual.
Um ancião sereno, traje fino,
uma mulher portando um violino,
um garoto com paz em seu olhar.
Na cabeceira azul da sepultura,
posam os cinco vultos na moldura
sob a luz melancólica do luar...