AS COISAS TRISTES
São as coisas que não esperam cura:
o adeus num horizonte nevoento,
o soluço levado pelo vento,
uma desilusão que muito dura,
a solidão sem fim de um aposento,
a lágrima caindo na moldura,
a rosa na janela, que procura
reviver a lembrança de um momento...
Tantas coisas ruins a retratar...
Um ancião ao longe, a meditar,
as mãos que desistiram, ante a fome,
o ninho com as chuvas, em debate...
O solitário cão que late, late,
diante de uma cruz que não tem nome.