A MÃO DO COVEIRO
Essa mão que a dureza lapidou
com a marca das rústicas jornadas,
tem as unhas que a terra maculou,
traz histórias de vida não contadas.
Não é mão que o lavor abandonou,
mas de alguém que pegou em mil enxadas...
Cada calo, aspereza que ficou,
é um registro de lutas já findadas.
Não é mancha a sujeira, mas memória
de quem realizou a trajetória,
encontrando descanso que conforte.
E, com letras ruins, sem pretensão,
o afazer se compara, nessa mão,
ao poema que brota até da morte...