TRANSIÇÕES
Se meus versos vierem a morrer,
se as palavras se forem com o vento,
não houver quem os possa então reler,
nem lembrá-los sequer um pensamento...
Se um dia, sem a mão que os fez nascer,
a tinta esvanecer de modo lento,
sem pena que os procure reescrever
com aval do profundo sentimento...
Se o tempo os desfizer em certo prazo,
como as flores que secam sobre o vaso,
não for o seu destino ser canção,
que nasçam outra vez no gesto amigo
de quem, ao possuir fartura e trigo,
divida com os próximos o pão.