ASSUNTO IMOBILIÁRIO
Minha casa, decerto, está fechada;
as paredes desfazem-se da cor.
Não espero visita à minha entrada;
não espero carteiro ou vendedor.
A varanda impassível olha o nada.
Desabrocha no vaso alguma flor.
Bate sol, nos detalhes da fachada,
batem sombras dos galhos sem vigor.
Vem a brisa, girando em sua dança;
um murmúrio sutil de folha morta;
e o silêncio de tudo que remansa,
e a quietude de tudo que conforta.
E uma estátua segura uma balança,
com a sombra de um anjo em minha porta.