O BAILE SOMBRIO
Tudo é estranho na noite sem feitio.
Eis que surge no céu a grande festa...
Vejo um baile fantástico, sombrio,
ao erguer lentamente minha testa.
Giram sombras nas rodas do vazio,
numa dança mutável e funesta...
O luar estremece ao vento frio.
A ramagem transluz em cada fresta.
Claros tons, entretons, intercalados,
lembram vultos de capas e rendados,
a dançar vagamente num salão.
Pouco a pouco a miragem se desfaz.
Fica o brilho vibrátil e fugaz,
de confetes caídos na amplidão…