AS COISAS QUE PERMANECEM
Não é o granito nem o aço frio que desafia o tempo,
é o cheiro de café na manhã quieta,
quando a luz ainda hesita na janela,
é a ruga suave no canto do olho de quem te viu crescer,
a paciência muda de um velho cão no tapete…
São as palavras não ditas que ficaram no ar
e viraram silêncio que conforta,
o hábito bom de sempre deixar a porta um pouco aberta…
Não é a promessa gravada em bronze,
mas a confiança simples construída na rotina do dia a dia,
são as lembranças que não pesam mas flutuam leves
como poeira dourada quando o sol bate certo.
As coisas que ficam são as que não precisam gritar,
as que apenas são essenciais e quietas
como dois suspiros sob o lençol.