No Jardim Da Poesia

de Paulo Maurício G. Silva

Textos

O AMANHECER ANTIGO

Num remoto amanhecer ceifamos nosso trigo…

O sol ainda tateava o horizonte com dedos de âmbar

e o orvalho nos molhava os pés como uma promessa da terra…

Éramos o ciclo e o silêncio da colheita.

Dividíamos o peso dos feixes e o cansaço dos braços.

O vento trazia cheiro de palha e de tempo guardado,

e a vida parecia caber inteira entre os dedos.

A luz crescia e o campo se despia do seu ouro.

Deixávamos para trás apenas a marca dos nossos passos,

guardávamos o sustento para os meses de cinza

e guardávamos nas palmas a memória do trigo que foi nosso,

naquele tempo em que o mundo era apenas a terra e nós…

Paulo Maurício G Silva
Enviado por Paulo Maurício G Silva em 11/07/2026


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