A MARIPOSA NA PAREDE
Na parede, sutil, adormecida,
descansa a mariposa, a seu contento,
como se ali encontrasse paz, guarida,
um abrigo discreto, um aposento.
As asas, de tão frágeis, têm a vida
de um sonho que se esvai no pensamento.
Ela repousa, quieta, recolhida,
enquanto o mundo segue em movimento.
E permanece estática, parada,
quase como se fosse desenhada
naquela superfície imóvel, fria…
E quando a tarde trêmula retorna,
vai para os braços da paisagem morna,
deixando uma parede então vazia.