A MESA VAZIA
À mesa nua, a sombra se demora,
e a luz flutua de maneira abstrata;
a solidão constante se desata
em torno da madeira que descora.
Nenhuma voz se faz ouvir agora,
nenhum riso, nenhuma reza grata;
esquecimento apenas, se retrata,
e o pó que a tudo cobre e em tudo mora.
Que foi que ali se disse ou se calou?
Que ausência angustiosa permanece,
depois que alguém, por último, sumiu?
A casa à sua volta se fechou.
E as cadeiras, na tarde que esmorece,
imitam quem há muito já partiu...