O RETRATO NA PAREDE
Eu olho na parede a foto dela,
no quarto em que nas noites adormeço.
A luz suave à beira da janela,
desenha sombras pálidas no gesso.
Eu sinto a nostalgia triste e bela,
lembranças que por todo tempo teço.
Contemplo a doce imagem que me zela,
pensando num amor que não tem preço.
Os ventos tudo sopram lá por fora.
As nuvens densas pairam, muito embora
a sensação se torne leve, pura…
E aberta normalmente a fria tranca,
uma pequena borboleta branca
vem repousar num canto da moldura.