O ANOITECER VISTO DE UMA JANELA
O sol declina, vagaroso e brando.
O alto da serra adquire um tom de mel.
As nuvens vão, de leve, transmudando.
Há sopros de fuligem e papel.
E tudo, aos poucos, vai-se aconchegando,
vai suavizando o límpido painel.
É o prelúdio da noite, dispersando
um vago cheiro de jasmim ao léu.
O pico altivo observa os passarinhos.
O instante em que retornam para os ninhos
descreve calmamente o anoitecer.
A sombra cresce; o dia está rendido.
Mais um que acreditamos ter vivido
na labuta incessante de viver.