A SOMBRA DO CORVO
Sobre o ramo sem flor, na noite escura,
ele repousa, estático, profundo,
o negro olhar mirando o vasto mundo.
Olhar de sentinela da amargura.
A lua dentre nuvens, branca, pura,
clareia levemente o chão imundo;
o vento sopra e, por algum segundo,
espalha folhas mortas na planura.
Quem sabe que mistério a noite encerra?
Quem sabe que segredo aterrador?
Que súplicas rastejam sobre a terra,
enquanto ele abre as asas ao sem fim,
e sua sombra traça, com rumor,
um presságio sombrio sobre mim...?