A CRUZ SOBRE A SEPULTURA
Sobre a tumba, talhada em pedra escura,
a cruz contempla o céu, entristecida.
Ela guarda a secreta desventura
da alma que prosseguiu sem despedida.
A sombra, ao sol, recobre a sepultura.
À tarde, vai tornando-se comprida...
Apenas certas épocas, perdura,
ou toca alguma flor ali surgida.
Nessa cruz que o decurso não consome,
há uma lembrança, uma palavra, um nome,
roçados pelos frágeis ramos nus.
E quando a lua pálida irradia,
a sombra faz pensar com nostalgia,
numa rima de lágrimas e luz...